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Vale do Fim | Capítulo 3 (Parte 1)

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Capitulo 3Consequências do Retorno (Parte 1)
    
Artur estava incrédulo com aquilo a que estava a assistir. Era impossível o pequeno filho da sua amiga Joana estar vivo. Ele estava lá no momento em que taparam o corpo, tal como o do padrinho. Eles estavam na parte da frente do autocarro e, embora Miguel apresentasse apenas alguns arranhões, ele não tinha pulsação. Os arranhões! Ele não tinha os arranhões na cara quando eu cheguei à casa mortuária… Eles desapareceram, tal como as minhas cicatrizes desapareceram. O que está a acontecer connosco? O que aconteceu naquele autocarro antes de cair do penhasco?
   
Enquanto todas as pessoas estavam agitadas e aglomeradas perto de Miguel, Artur seguiu até ao caixão onde se encontrava o padrinho da criança. Pôde constatar que ele tinha exactamente as mesmas marcas que lhe desfiguraram a cara. O corpo dele não tinha sofrido qualquer tipo de mutações como o de Miguel parecia estar a ter. Aparentemente estava morto, mas nada parecia certo para ele, de um momento para o outro ele podia regressar aos vivos tal como o menino regressara.
    
Viu Joana a tirar o pequeno Miguel do caixão e pegá-lo ao colo, tapando-lhe os olhos para que ele não visse os dois outros caixões que se encontravam na casa mortuária e levou-o para a rua. Implorou aos restantes habitantes de Vale do Fim que não a seguissem. Também ela estava completamente apavorada com aquilo que se estava a suceder no local. O filho que julgara morto estava completamente saudável, inexplicavelmente vivo.
   
Artur caminhou até Joaquim que estava igualmente boquiaberto com o que acabara de presenciar. Ele estava com o telemóvel na mão, preparando-se para marcar um número.
  
  - Nenhum dos mortos neste acidente pode ser enterrado nos próximos dias! – Declarou Joaquim. Artur concordava plenamente com a sua decisão, algum daqueles que se julgavam mortos poderia levantar-se a qualquer momento.
   
 - Acho que se passou alguma coisa no autocarro antes do acidente, Joaquim. Você como presidente deveria de pedir à polícia para averiguar o que se passou. Eu próprio poderei liderar essa investigação.
   
 - Porque dizes que se passou algo? – Questionou-lhe Joaquim. O seu tom de voz pareceu-lhe nervoso.
    
- O cheiro que invadiu o autocarro antes dele cair pelo penhasco… acho isso suficiente. Desde que o cheirei que não me tenho sentido bem. Ainda não tive oportunidade de falar com os outros cinco sobreviventes, mas acredito que estejam na mesma situação. – Respondeu-lhe. Só lhe vinha ao pensamento o retorno de Miguel, o desaparecimento das cicatrizes e a rápida movimentação que o levou a apanhar o tubo de colheita de sangue mesmo antes dele cair no chão. Havia algo que não batia certo naquela história, Artur tinha de saber o que era.
    
- Tratarei disso mais tarde! Agora se não te importas tenho um telefonema importante a fazer. Porque não vais ver como estão a Joana e o meu neto?
    
Artur concedeu o desejo de Joaquim e saiu da casa mortuária em busca de Joana e Miguel. A rapariga encontrava-se sentada num dos bancos de jardim em frente à igreja, um pouco afastada da casa mortuária. Ainda tinha o seu filho ao colo.
    
- Porque não me lembro da viagem à Serra, mãe? – Perguntou-lhe Miguel quando Artur se aproximou deles. Era óbvio que ele não se lembrava de nada do que acontecera.
    
- Não te lembras porque passaste a viagem toda a dormir meu pequeno tesouro! – Respondeu-lhe Joana.
    
- Dormi os dois dias? Como? – O rapazito parecia incrédulo. Mais incrédulo do que Artur ao vê-lo falar.
   
 Sentou-se à beira deles. Olhava para Miguel, mesmo tentando afastar o olhar, para que o pequeno rapaz não sentisse que estava a passar-se algo de errado. Tocou na mão de Joana e consequentemente na mão do menino impossível.
   
 - Porque é que eu estava deitado naquele caixão? – Perguntou Miguel a Artur quando o viu.
    
- Aquilo não era um caixão, querido! – Apressou-se Joana a dizer-lhe. – Era uma espécie de boas-vindas dos nossos vizinhos para vocês, para celebrarem a vossa chegada.
    
- E precisavam de vir de preto? E pareciam-me tristes para uma festa. – Embora fosse bastante novo, Miguel era bastante inteligente, conseguia captar muitos dos pormenores que se encontravam ao seu redor.
    
- Deixa de pensar nisso Miguel! Conta-me antes o que sonhaste durante o teu grande sono. É que foram dois dias a dormir, deves ter sonhado muita coisa durante esse tempo todo. – Declarou Artur. Era importante saber se ele estivera a dormir, se estivera em coma ou em qualquer outro estado que ele desconhecesse.
   
 - Não me lembro de sonhar, Artur. – Respondeu o menino. – Só me lembro de ir no autocarro com o padrinho e depois de cheirar uma coisa que não sei explicar, só sei que nunca a tinha cheirado. Depois adormeci. A seguir a isso, só me lembro do que se passou agora.
    
O cheiro! Mais uma vez o cheiro que se fez sentir no autocarro. Cada vez mais estou desejoso de saber o que se passou naquela manhã, pensou Artur. Ingleses, Ingleses, Ingleses, murmurou a sua mente. Chega Artur, eles não existem, não estão aqui a fazer experiências malucas. E se estiverem? Sentia-se confuso.
    
- E o padrinho? Onde está o padrinho? – Perguntou Miguel. Felizmente não tinha percebido que no caixão ao lado do seu encontrava-se o seu ente querido.
    
- O padrinho foi para um lugar melhor Miguel! Agora descansa, descansa, meu querido. – Confortou-o Joana.
    
Será que foi? Ou retornará como o teu filho, Joana? Depois do que vi não sei no que acreditar.


Continua...

Vale do Fim - Capítulo 3 (Parte 1)
Por Ricardo Reis

Vale do Fim | Capítulo 3 (Parte 1) Reviewed by Fantastic on 15:54:00 Rating: 5

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