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Duplo Clique | "Amor sem Limites"


“Começou o novo reality-show da TVI. Chama-se Love on Top e consiste em meter strippers e RPs de discoteca numa casa a colecionarem doenças venéreas. Dizem todos que estão lá para encontrar a alma gémea, o que faz tanto sentido como ir a um talho renovar o cartão do cidadão. Há um concorrente que diz que está na área das telecomunicações, ou seja, trabalha num call center. O amor é lindo”. Foi assim que Guilherme Duarte, autor da página Por Falar Noutra Coisa, comentou no Facebook o novo programa de sábado à noite da TVI.

Exageros à parte, Love on Top arrisca-se a ser o que está acima transcrito e mais alguma coisa, infelizmente pior. Um reality-show assumido, mas pouco, a partir do momento em que Teresa Guilherme começou a chamá-lo de dating-show. Teresa Guilherme continua imbatível e não pode negar o título de “casamenteira”: afinal de contas, parece que aquelas doze pessoas fechadas numa casa querem encontrar o amor da sua vida. Só lhes falta o conhecido empurrão do entretenimento para adultos.


Promovem-no como um dating-show – que é como quem diz um encontro amoroso em direto – e mantêm as câmaras ligadas. Tantas que desta vez há equipas de filmagem em verdadeira perseguição no meio dos concorrentes. Uma perseguição voyeurista e descarada, procurando mostrar momentos de intimidade (provavelmente mais sexuais do que românticos) entre os inquilinos daquela mansão, ávidos de uma boa performance entre lençóis para que todo o país veja, vote e comente.

Love on Top, nesse sentido, atualiza a fasquia: nunca um programa deste género havia descido tão baixo nos padrões do bom gosto. Os diálogos entre os participantes são estéreis, os corpos transpiram demasiadas hormonas e tudo está preparado para fabricar a ação do programa. Até porque a casa é de luxo, numa área de nove mil metros quadrados, e tem piscina, jacuzzi, discoteca e uma sala de cinema.


Os concorrentes estão ali à procura do amor de uma vida? A intenção não parece séria, soa antes a falso pretexto para uma boa aventura (de preferência lucrativa para os participantes), e o canal, a produção e os telespetadores agradecem. Portugal mostrou-se cansado dos reality-shows na programação televisiva – volvidos anos sem fim de Big Brothers, Quintas e Casas dos Segredos –, mas o que é certo é que um milhão e 298 mil espectadores pararam para ver a estreia do programa, no horário nobre e supostamente familiar de sábado à noite.

Curiosamente, nem tudo é mau no formato. A TVI esmerou-se, quis mostrar que em matéria de realities ainda não está tudo feito e lançou assim uma aplicação interativa para smartphones – objeto de poder nas mãos dos utilizadores, que agora podem votar, interagir com a casa e aceder a mensagens trocadas por telemóveis entre os concorrentes. Os sociólogos podem encontrar ali um terreno fértil para novos estudos sobre a deterioração das relações amorosas.


Love on Top, anunciado como “o programa mais quente do país”, vai manter-se na grelha diária da TVI ao longo de seis semanas, e quem sabe até mais, enquanto o calor aumenta e a qualidade da oferta televisiva se degrada proporcionalmente. É um “lugar ao sol” a evitar sempre que possível.

Love on Top, para ver diariamente, na TVI.

Duplo Clique - 76ª edição
Uma crónica de André Rosa

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